Por Flávio Bannwart.
A primeira ancoragem do muro de escalda, a da direita, foi aberta pelo Tomás Gridi Pappi e pelo Rodrigo Raineri, em 1991. Daí começaram a escalar os outros integrantes do GAIA, um grupo de esportes de natureza que envolvia espeleologia e, posteriormente, escalada.
O GAIA promovia excursões de baixo custo e muito bem organizadas que foram um sucesso na UNICAMP. Fui em duas delas, sendo uma para o Parque Itatiaia (1991) e uma para as cavernas do PETAR (em 1992). Foi a partir dessa mesma excursão para as cavernas do PETAR que o Vitor, já envolvido com o GAIA, oficializou a sua integração ao grupo.
Pertencer ao GAIA implicava em pertencer ao GEEU que, na época, era uma entidade hipotética, pouco comentada. O GEEU foi previsto como forma de atender ao caráter popular e democrático para utilização do muro, pois o GAIA era um grupo particular. Não era cobrado nada para se escalar no muro, a não ser que se comprasse um par de kichutes para ficar à disposição do GAIA e de quem mais precisasse.
Isso era de fato muito barato e justo, já que o GAIA investira do próprio caixa para comprar todo o patrimônio na época (agarras, chumbadores, ferramentas, cordas, algumas cadeirinhas, mosquetões, freios 8, etc). O caixa do GAIA era alimentado por uma contribuição mensal entre eles somente, no valor equivalente a 8 dólares por mês, e também do que conseguiam arrecadar das excursões.
Com o tempo, o número de escaladores que não eram do GAIA começou a superar o número de integrantes desse grupo (uns 12, talvez). Então, o nome GEEU passou a ganhar corpo e se instituiu a contribuição por parte de todos, tal como é hoje.
Ficou acordado que os integrantes do GAIA não precisariam contribuir com dinheiro algum por um período de 3 anos, para que o GEEU pudesse herdar o seu próprio patrimônio (já mencionado acima). Assim começou o GEEU na prática, lá pelos idos de 1993 e 1994.
As primeiras caixas com agarras, cordas, kichutes e etc, pertenciam ao GAIA e eram guardadas na República Império dos Sentidos, onde o Ibitinga morava, em Barão. Isso fez parte da nossa herança também, claro.
A coisa não tinha muito controle, pois cada vez mais escaladores novos entravam na casa passando pelo quintal até o quartinho dos fundos para pegar os equipos. O portão ficava aberto. O Rodrigo, com total razão, tomou a iniciativa de se buscar um outro espaço para guardar os equipos, para a segurança da república. Até que essa idéia fosse concretizada passaram-se meses...
O muro era aberto na hora do almoço apenas, do meio dia às 2 da tarde. No final da tarde todo mundo queria voltar para casa depois da aula, geralmente de busão, a não ser que tivesse alguma festa na UNICAMP. Ocasionalmente abria à noite, até que a coisa foi mudando para o que é hoje, predominando à noite.
Entre 1994 e 1995 fizemos assembléias e fundamos o GEEU "formalmente", com a discussão detalhada dos seus Estatutos (que tiveram como base os Estatutos do CAEM - Centro Acadêmico da Engenharia Mecânica, e isso não foi por acaso).
Foi tudo muito tranqüilo e bem participativo. Ocupamos uma sala do Ciclo Básico, inclusive. Na ocasião, decidimos não formalizar ou registrar legalmente, pelos motivos já discutidos na lista.
Se não me engano, o Guilherminho foi um dos 3 coordenadores gerais da primeira gestão do GEEU (1995/1996).
No fim dos anos 80 e início dos anos 90 os estudantes da UNICAMP, e das outras universidades públicas em geral, eram bem mais politizados que agora. Os CAs eram fortes e participavam duramente das discussões com o DCE e outras entidades internas e externas à UNICAMP, como a UNE e CAs da USP, UNESP, PUCC e Federais. Daí ter sido tão fácil para que se arregimentasse os integrantes do GEEU para a sua fundação, nas reuniões (assembléias). A galera participou em peso.
Foi em 1989 que conheci o Vitor, contemporâneo meu de RA 88. Fiz Eng. Mecânica e ele Eng. de Alimentos, calouro do meu irmão, que entrou em 87.
Em 89 eu estava participando da primeira gestão do CAEM (CA da Eng. Mecânica), quando fizemos a cisão com o CABS (Centro Acadêmico Bernardo Sayão, que passara a envolver apenas a Eng. Elétrica e a Eng. Química). Nas reuniões do CRU (Conselho de Representantes de Unidades), realizadas no DCE, encontrávamos todos e haviam debates acirrados sobre diversos assuntos.
Quando conversava com o Vitor, ele dizia que apoiava a separação da Mecânica em relação ao CABS. Encontrávamos muitas vezes nos debates a respeito da construção da Cantina da FEM/FEA, a Tropicaliente, pois envolvia os dois CAs: CAEM e CAFEA (Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia de Alimentos).
Como, nessa ocasião, o meu irmão André e eu estávamos nos respectivos CAs, o acordo foi facilitado. O Vitor, apesar de estar mais envolvido com o DCE, também participou um pouco das discussões.
Em 1991 os CAs de todas as engenharias da UNICAMP organizou e realizou o SNEE (Seminário Nacional dos Estudantes de Engenharia). Essa foi outra ocasião em que nos encontrávamos. O Rodrigo não se envolveu com o movimento estudantil, que eu saiba.
Acredito que esse clima geral que rolava nas universidades favoreceu, e muito, o surgimento de entidades estudantis em geral, incluindo aí o GEEU. Porém, o GEEU é mais amplo, pois é aberto a qualquer pessoa, inclusive estrangeiros. Ele não representa estudantes exclusivamente, ainda que tenham sido a sua maioria constituinte desde a sua gênese.
Bom, perdão se escrevi demais... Acabei me empolgando para relatar um pouco da nossa história.
Abraço
Flávio de Campos Bannwart - "Bambam" / março de 2008.
Por Flávio Bannwart.
A primeira ancoragem do muro de escalda, a da direita, foi aberta pelo Tomás Gridi Pappi e pelo Rodrigo Raineri, em 1991. Daí começaram a escalar os outros integrantes do GAIA, um grupo de esportes de natureza que envolvia espeleologia e, posteriormente, escalada.
O GAIA promovia excursões de baixo custo e muito bem organizadas que foram um sucesso na UNICAMP. Fui em duas delas, sendo uma para o Parque Itatiaia (1991) e uma para as cavernas do PETAR (em 1992). Foi a partir dessa mesma excursão para as cavernas do PETAR que o Vitor, já envolvido com o GAIA, oficializou a sua integração ao grupo.
Pertencer ao GAIA implicava em pertencer ao GEEU que, na época, era uma entidade hipotética, pouco comentada. O GEEU foi previsto como forma de atender ao caráter popular e democrático para utilização do muro, pois o GAIA era um grupo particular. Não era cobrado nada para se escalar no muro, a não ser que se comprasse um par de kichutes para ficar à disposição do GAIA e de quem mais precisasse.
Isso era de fato muito barato e justo, já que o GAIA investira do próprio caixa para comprar todo o patrimônio na época (agarras, chumbadores, ferramentas, cordas, algumas cadeirinhas, mosquetões, freios 8, etc). O caixa do GAIA era alimentado por uma contribuição mensal entre eles somente, no valor equivalente a 8 dólares por mês, e também do que conseguiam arrecadar das excursões.
Com o tempo, o número de escaladores que não eram do GAIA começou a superar o número de integrantes desse grupo (uns 12, talvez). Então, o nome GEEU passou a ganhar corpo e se instituiu a contribuição por parte de todos, tal como é hoje.
Ficou acordado que os integrantes do GAIA não precisariam contribuir com dinheiro algum por um período de 3 anos, para que o GEEU pudesse herdar o seu próprio patrimônio (já mencionado acima). Assim começou o GEEU na prática, lá pelos idos de 1993 e 1994.
As primeiras caixas com agarras, cordas, kichutes e etc, pertenciam ao GAIA e eram guardadas na República Império dos Sentidos, onde o Ibitinga morava, em Barão. Isso fez parte da nossa herança também, claro.
A coisa não tinha muito controle, pois cada vez mais escaladores novos entravam na casa passando pelo quintal até o quartinho dos fundos para pegar os equipos. O portão ficava aberto. O Rodrigo, com total razão, tomou a iniciativa de se buscar um outro espaço para guardar os equipos, para a segurança da república. Até que essa idéia fosse concretizada passaram-se meses...
O muro era aberto na hora do almoço apenas, do meio dia às 2 da tarde. No final da tarde todo mundo queria voltar para casa depois da aula, geralmente de busão, a não ser que tivesse alguma festa na UNICAMP. Ocasionalmente abria à noite, até que a coisa foi mudando para o que é hoje, predominando à noite.
Entre 1994 e 1995 fizemos assembléias e fundamos o GEEU "formalmente", com a discussão detalhada dos seus Estatutos (que tiveram como base os Estatutos do CAEM - Centro Acadêmico da Engenharia Mecânica, e isso não foi por acaso).
Foi tudo muito tranqüilo e bem participativo. Ocupamos uma sala do Ciclo Básico, inclusive. Na ocasião, decidimos não formalizar ou registrar legalmente, pelos motivos já discutidos na lista.
Se não me engano, o Guilherminho foi um dos 3 coordenadores gerais da primeira gestão do GEEU (1995/1996).
No fim dos anos 80 e início dos anos 90 os estudantes da UNICAMP, e das outras universidades públicas em geral, eram bem mais politizados que agora. Os CAs eram fortes e participavam duramente das discussões com o DCE e outras entidades internas e externas à UNICAMP, como a UNE e CAs da USP, UNESP, PUCC e Federais. Daí ter sido tão fácil para que se arregimentasse os integrantes do GEEU para a sua fundação, nas reuniões (assembléias). A galera participou em peso.
Foi em 1989 que conheci o Vitor, contemporâneo meu de RA 88. Fiz Eng. Mecânica e ele Eng. de Alimentos, calouro do meu irmão, que entrou em 87.
Em 89 eu estava participando da primeira gestão do CAEM (CA da Eng. Mecânica), quando fizemos a cisão com o CABS (Centro Acadêmico Bernardo Sayão, que passara a envolver apenas a Eng. Elétrica e a Eng. Química). Nas reuniões do CRU (Conselho de Representantes de Unidades), realizadas no DCE, encontrávamos todos e haviam debates acirrados sobre diversos assuntos.
Quando conversava com o Vitor, ele dizia que apoiava a separação da Mecânica em relação ao CABS. Encontrávamos muitas vezes nos debates a respeito da construção da Cantina da FEM/FEA, a Tropicaliente, pois envolvia os dois CAs: CAEM e CAFEA (Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia de Alimentos).
Como, nessa ocasião, o meu irmão André e eu estávamos nos respectivos CAs, o acordo foi facilitado. O Vitor, apesar de estar mais envolvido com o DCE, também participou um pouco das discussões.
Em 1991 os CAs de todas as engenharias da UNICAMP organizou e realizou o SNEE (Seminário Nacional dos Estudantes de Engenharia). Essa foi outra ocasião em que nos encontrávamos. O Rodrigo não se envolveu com o movimento estudantil, que eu saiba.
Acredito que esse clima geral que rolava nas universidades favoreceu, e muito, o surgimento de entidades estudantis em geral, incluindo aí o GEEU. Porém, o GEEU é mais amplo, pois é aberto a qualquer pessoa, inclusive estrangeiros. Ele não representa estudantes exclusivamente, ainda que tenham sido a sua maioria constituinte desde a sua gênese.
Bom, perdão se escrevi demais... Acabei me empolgando para relatar um pouco da nossa história.
Abraço
Flávio de Campos Bannwart - "Bambam" / março de 2008
Por Flávio Bannwart.
Em setembro de 2009 o Flávio Bannwart contou-nos mais uma história, desta vez surgiu a partir de um ensaio de tração simples que foi realizado com uns pedaços de corda e mosquetões do GEEU (ensaio disponível na seção de downloads aqui do site).
Antigo mesmo, desde que o Muro de Escalada surgiu, em 1991. Emprestei a broca para os primeiros furos da primeira ancoragem, que é a da direita. O Tomás Pappi e o Rodrigo Raineri montaram a 1ª ancoragem e as primeiras vias, onde testei kichutes emprestados enquanto os dois trabalhavam... he he;
Alguns meses depois eles montaram a 2ª ancoragem (a do meio); alguns anos depois alguém (o Nativo ?) montou a 3ª ancoragem, que o Sá reformou, lá pelos idos de 94 ou 95; a 4ª ancoragem é recente a montamos durante a última reforma do negativo, nele próprio (em fins de 2007). Obs.: faltou fazermos o back da 4ª ancoragem. Nessa época entre 91 e 94 palavra GEEU era muito pouco pronunciada; falava-se apenas MURO.
O GEEU era mais uma idealização teória que foi ganhando força à medida que mais gente que não pertencia ao GAIA foi visitando o muro e começando a escalar, desde que o interessado comprasse um par de kichutes para o GAIA (o que era justo, pois absolutamente todo o equipamento do muro era do GAIA, que o adquiriu com recursos próprios).
O GEEU tomou corpo enquanto instituição independente do GAIA por volta de 1994, quando herdou o seu patrimômio (todas as agarras, cordas, cadeirinhas e ferragens do muro) por meio de acordo no qual os integrantes do GAIA escalariam no GEEU sem pagar por 3 anos, e foi também quando houve a primeira fundação e a única aprovação dos estatutos, numa Assembléia realizada no Ciclo Básico (com sala cheia).
Optamos por não fazer o registro em cartório, porque era caro, burocrático e etc, e tínhamos uma despesa fixa anual de reforma do negativo, e também porque a estrutura do negativo era muito ruim e não durava mais que um ano sem reforma nem a pau.
As corda também duravam bem menos que agora. Naquele tempo (parece passagem bíblica...) diversos escaladores não confiavam em somente 1 mosquetão na sua cadeirinha e instalavam 2 (dois) lado a lado, o que sempre combati e achei uma bobagem.
Insisti nos ensaios de tração para acabar com essa neura que existia, e que o fator limitante de segurança era a corda. Provado isso, após os ensaios, confirmou-se também que as cordas ficavam muito sujas porque a muretinha que havia não fechava a região do muro nas laterais. Então o chão de cimento ficava sempre sujo de terra, pois as chuvas carregavam terra para o chão do muro a partir das laterais.
Além disso, o barro ficava acumulado junto ao muro, pois o chão não tinha nivelamento adequando para o escoamento de água. Por isso as cordas ficavam imundas rapidamente; e essa sugeira de terra entra na alma da corda, compromentendo-a rapidamente por causa da ação destrutivas dos grãos de areia antre as filhas de nylon. Isso onerava o GEEU, que tinha que comprar cordas com muita freqüência.
O resultado de 600 e poucos Kgf de resistência na posição 1/4 da corda foi um alerta. Quem poderia garantir que o patamar de resistência não baixasse ainda mais, para 200 ou 100 Kgf? Uma carga dinâmica chega facilmente ao dobro do peso do escalador, em corda estática. Então, a partir desses resultados, fizemos o projeto da muretinha tal como ela é hoje.
A construção foi feita pela FEF, entre 95 e 96, não me lembro exatamente. A Diretoria da FEF teve extrema boa vontade em alocar parte de seus recursos para a mureta. Foi tranqüilo porque a FEF já vinha realizando outras obras. Sem essas condições favoráveis não teria rolado. Estámos lá para aproveitar a chance.
Flávio de Campos Bannwart - "Bambam" / setembro 2009



