Tive a oportunidade ir eu (davi marski) e minha esposa com a Sara , o Tonto e uma amiga para o Itatiaia, subir até o cume principal por uma rota ímpar, a via 'Bira'. O Maurício Clauzet colocou o post, que reproduzo a seguir :
Por alguns anos, eu sempre ia para o Planalto do Itatiaia com amigos e tal que nunca tinham ido... e acabava de guia e sempre fazendo as mesmas coisas... O super clássico manjado batido, Agulhas pela via Pontão (eventualmente pela normal) e Prateleiras pela Sul (Pulo do Gato).
Bom, hoje em dia já faz tempo que sempre ando fazendo programas novos por lá... se for algum novato tem que estar apto para alguma coisa um pouco mais hardcore se me quiser de guia. Hehehe.
Bom, dando uma força pro pessoal sair da mesmice em Agulhas Negras, vou dar aqui todos betas pra na sua próxima trip para lá tentar subir Agulhas pela via Bira.
Ela não é uma via difícil, tem um crux bem definido, que falo adiante, e mais uns 3 pontos com um pouco mais de dificuldade, mas não é muito mais difícil que a via Pontão, frequentada por Deus e Todo Mundo.
Tendo o guia indo antes e fixando a corda nesses trechos, é tranquilo de subir para quem estiver junto com o apoio de uma simples corda fixa. Para o guia recomendo levar sapatilha.
A Bira é linda, eu pessoalmente acho muito mais legal que as tradicionais. Ela não vai tão enfiada em fendas e gretas, o que confere mais visual durante toda escalada. Segue uma linha diagonal natural fantástica da montanha. Chega diretamente no cume mais alto, o Itatiaiaçu, onde está o "livro".
Não deixe de sair da mesmice e inclusive desfrutar do prazer de procurar pela rota que você não conhece ainda na montanha.
Vamos lá...
APROXIMAÇÃO
É bem fácil de chegar e achar o começo da Bira.
Siga a trilha habitual para Agulhas. Depois que cruzar o rio, logo perto do pé de Agulhas fique esperto. Depois do rio, no primeiro lageado meio plano que há, a trilha da normal/pontão segue meio reto. Procure uma trilha que saia para baixo, pela direita desse lageado plano.
A trilha desce um pouco e cruza um fundinho de baixada que tem um riozinho. O capim é alto, mas a trilha é bem marcada. Depois de cruzar o curso d´água, a trilha começa a subir em diagonal para a direita. Basta estar atento e sempre buscar algum capim pisado/trilha/caminho de rato. A via tem uma certa frequencia, procurando a trilha é bem visível.
A foto abaixo tem uma boa resolução, clique nela, e com ela ampliada clique o botão direito do mouse e salve ela no seu computador.
Repare na trilha, no traçado que fiz em vermelho, um lugar que a trilha faz nitidamente um bico. É um lugar onde se sobe por uma pedra em uma outra chapa de pedra. É o único lugar da trilha de aproximação que se tem mais que "trepar", o resto é trilha na matinha ou em chapadas de pedra. Basta ter sempre em mente que você tem que chegar na base da grande diagonal óbvia que corta Agulhas.
Logo depois da caverninha você está no inicio da diagonal e da via propriamente. Agora é mais rocha, e não há mais trechos de trilha em lugares muito vegetados.
A VIA BIRA ( Júlio Spanner, Jorge Hans Spanner, Jorge Lacerda, Sgt Archimedes e Sgt Ubirajara 1968)
Todo esse começo é bem óbvio, basta seguir a diagonal, mas você terá no caminho que procurar o caminho mais fácil e eventualmente colocar uma corda de cima pros mais inexperientes em uma ou outra rampa de aderência.
O Crux é uma rampa/canaleta/aderência já praticamente no fim da diagonal. Ela tem um grampo para costurar lá em cima, bem onde é o lance chave. Como já disse nesse lance a sapatilha vai bem pro guia. Deve ser um 4sup. Abaixo tem algumas fotos do lance.
Logo depois do crux a via meio que começa a deixar essa diagonal gigante e entra mais por fendas e passagens em direção ao Cume. Tem mais um lancezinho dicícil nesse caminho, um lugar que a trilha meio que parece que acaba sem saída dentro de um buraco/caverninha meio úmido... Se estiver seco, o lance é fazer pela canaleta logo antes do buraco, na esquerda. Se estiver úmido, dá para subir com a ajuda da árvore meio que pela boca de entrada do buraco. Infelizmente não tenho fotos desse lance. Nessa parte o caminho não é tão óbvio quanto na diagonal, mas olhando com carinho e procurando por rastros, matinhos pisados e tal você vai achar o caminho seguramente. Alguns trepa pedra bem legais aqui.
Até que em um certo ponto você passa por baixo de uma grande pedra... aí depois de sair da "cave" você já vê uma grande rampa e o cume do livro. Basta subria rampa, e depois subir para o livro pelo seu caminho predileto... Eu pessoalmente gosto da fenda em diagonal que sobe contornando pela direita.
Depois de assinar o livro e descer novamente, o que eu normalmente faço é subir pela chaminé para o cume do cruzeiro (onde chegam as vias Normal e Pontão), e desço pela via Pontão.
Acredito que com essas infos e mais as fotos a seguir, para alguém que já esteve nas vias tradicionais de Agulhas vai ser tranquilo encontrar a Bira.
As fotos a seguir são de 3x diferentes que eu fui lá, e as fotos eu coloquei meio que na cronologia da subida da via, mas é misturando essas minhas 3 subidas diferentes, com galera diferente, pela Bira (1º vez com Vitor, "descobrindo" o caminho), 2ª vez "de guia" pro Davi Cintia e Carol que não conheciam a rota. E 3ª vez escalando com a Fabíola).
Desfrutem!

foto 000 - já em mais de metade da subida em trilha para chegar no pé da grande diagonal da Bira, ainda antes da caverninha.

foto 002 - o caminho é obvio, mas apresenta algumas varições mais pela esquerda ou pela direito, mais por cima ou mais por baixo. Desfrute e faça um pouco de route finding.

foto 003 - como já disse, eventualmente tem alguns trechos que não são ainda o crux, mas que para um pessoal mais inexperiente uma corda de cima vai ser bom, ou até mesmo mais para agilizar o grupo mesmo.

foto 004 - como já comentei, essa via não vai "enfiada", então você sempre tem visual, e Sol no fim da manhã. Está mais exposto ao vento por outro lado.


foto 006 - aqui estou logo depois do crux olhando para baixo, e o Vitor está respirando aliviado já depois do crux.

foto 007 - Aqui o Vitor um pouco depois do crux, onde a rota vira em direção ao cume e se enfia mais em fendas e passagens, com vários trepa-pedra


foto 011 - em um certo ponto a trilha passa por debaixo de uma pedra enorme, formando essa "caverninha" da foto.


foto 013 (não está referenciada no croqui, mas é praticamente o mesmo local da foto 014, só que olhando para baixo) - olhando para trás já quase no pé do púlpito do cume. A grande pedra horixzontal na direita da foto é que forma a "caverninha" referenciada nas fotos acima.

foto 014 - Aqui, na sombra bem atrás da Carol e da Cíntia, se vê o Cume Itatiaiaçu (do Livro). Basta seguir essa cresta da sombra...

foto 015 - Aqui eu já estou no cume e tirei a foto da Fabíola subindo pela fenda diagonal que contorna o cume pela direita. É um 3º grau. E existem outras forma de se subir até o livro.

Essa foto aqui é em agradecimento / homenagem à esse figura, o Julio Spanner que é um dos conquistadores da Bira, me deu todas dicas antes de eu ir, e com praticamente 60 anos de idade está sempre me pilhando de fazer vias novas em Agulhas e dando muito trabalho pra conseguir seguir ele lá pelas pedras... Aeh Julio e Igor Spanner thanks a Lot!
Desfrutem!!!!!
Buenas olas
ToNTo
original no blog do Tonto : http://tontohangon.blogspot.com/2009/08/beta-via-bira-agulhas-negras-planalto.html






